Mostrando postagens com marcador poesia do cotidiano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia do cotidiano. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"HORAÇÕES" de fim dos dias

Horas há em que já não há orações que alivie os arfares da gente,
Que alivie o suspiro lânguido que escapa da gente.
Horás há em que já não há sorrisos que alivem o sofrimento sentido pela gente,
Que alivie a dor aguda que desatina a mente
Horás há em que já não se conta o tempo
é muito, é pouco,
tempo há mais, tempo há menos
tempos amenos, amemos...
Horas há que minutos há que segundos há todo tempo existente:
sente-se cada instante como sendo eterno inferno intransigente
(...)
E já há tanto tempo, que de tanto tê-lo, uma hora cansa.
E a hora do descanço não está prevista nem agendada,
quem dessa porra se cansa, pára a valsa de dança marcada
cancela a música que o tempo, o ritmo e afinação já não alcançava
e prefere a surdez a ter de ouvir duras palavras
mas jamais o silêncio da injustiça que não aceitava
Suspende-se a dança, a música, as horas, os amores e pretensões encantadas
Quando não se vive no tempo da gente, a ação do outro é como adaga.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Obrigações para com Universo - para que seja Diverso

Há que se desvencilhar de todas essas coisas que nos impregna desânimo, todas, todas, sem exceção.
Fica pactuado que é livre toda forma de expressão de afeto, carinho e gratidão.
É terminantemente proibido não sentir-se feliz, quando bem quiser - pois os momentos de reclusão entristecida, por vezes, são necessários.
Que a distância física e espiritual seja extinta a partir de um mútuo e consentido desejo.
Uma porção diária e constante de altruísmo, combinado, novamente, com gratidão.
Que a plenitude humana seja a máxima em nossas vidas,
E que ao doar-se aos outrxs, encontremo-nxs em nós.
Está são nossas obrigações para com o Universo - para que seja Diverso.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Novos ares....



Tem suspiro que é de alívio, tem suspiro que é de sufoco,
tem suspiro que é preenchido, tem suspiro que é oco.
Tem suspiro de dor, de alegria, de amor;
suspiros encantadores, tem até suspiro doce.

Mas por vezes falta o ar, mesmo com o pulmão cheio.
Por vezes não há sono, mesmo com o melhor travesseiro.
Vezes que parece que não haverá suspiro que dê jeito.
Que dê vida. Que dê saída.


De tanto suspirarmos, vamos acabar pirando.
E voando com tanto ar engolido a cada suspiro.
Já pensou, voar de suspiro enlouquecida de ares?
Deixe estar, deixe estar, há quem tenha medo que os suspiros acabem...


.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um VIVA aos SARAUS, um VIVA as poesias.

Coração vibrando, aquecendo.
Pensamentos diversos, crescendo.
Ainda que eu fique quieta, que só olhe, só escute, só contemple...
A poesia é poderosa e domina a gente.
Deve ser a magia da palavra,
Ou o encanto da solidão.
Não sei.
Sei, malemá, que ela me expressa, representa.
Que fala das durezas em leves fardos,
Que denuncia a barbárie em versos rimados. Ou não.
Em verso e prosa a palavra nos agracia,
"desce macia e reanima".
E nos impele a condensar a agudeza da vida em sílabas.
Um VIVA aos SARAUS, um VIVA as poesias.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

CANDIDATO

Quando menina brincava de pipa. Mas pipa não era de menina, era coisa de menino. Mas menina teimosa, eu seguia na brincadeira. E menino teimoso já aprendia seus privilégios,
Fui aprendendo a matemática da divisão sexual antes mesmo de ir ao colégio:
Eles soltavam pipa e eu soltava sacola, eu era gandula e eles jogavam bola... E se não estivesse satisfeita, que fosse brincar de professorinha, mamãe ou panelinha!
Lembrei os tempos de pipa, de dar helinho, de juntar as varetas, De passar cola, de fazer cerol, de fazer rabiola. As memórias pareciam improváveis, porque nesta situação? Porque a "casa" de Aparecida e
sua família assemelhavam-se as pipas tecidas nas brincadeiras de criança: o plástico negro que deveria
servir de telhado esvoaçava, esgarçados, em frangalhos, como se fossem rabiolas. A casa era a pipa, que pela tessitura ficou pesada e o vento não auxiliava a alçar voo, era feita de retalhos pesados: Madeirit, papelão, placa de candidato... Candidato, filho da puta! A casa não alçava voo por falta de empenho dele, por conta do peso dele...